ocupas sempre a mesa do canto, de olhos fitos no teu livro, sem nunca olhar para ninguém. e eu gosto de ficar sentado, simplesmente a olhar para ti, sempre a duas mesas contadas da tua.
hoje tens uma camisa branca vestida, três botões desapertada, e um colar azul cobalto pousado no teu pescoço. a tua pele é clara, salpicada de sardas miúdas. e os teus olhos verdes estão discretamente riscados de preto.
tu sorris de vez em quando para o livro à tua frente, enternecida com um parágrafo qualquer, enquanto eu vou reparando nas madeixas de cabelo que vão caindo, desalinhadas, no colo do teu peito.
pergunto-me se existirás de facto noutro lugar qualquer. ou se fui eu, que hoje acrescentei à tua personagem, o lenço florido vermelho pousado ao teu lado, em cima da mesa.
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